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julho 17 13:55 2006

O Dia Em Que A Terra Parou!


A Copa do Mundo é o maior espetáculo esportivo-cultural da humanidade que consegue a façanha de reunir pessoas de diversas nacionalidades em torno do mesmo objetivo: torcer e se emocionar


Quando você estiver recebendo (desculpe o gerúndio, é que eu estive passando meia hora no telefone paquerando uma atendente de tele marketing) essa edição de M&M, possivelmente o Brasil tenha se consagrado Hexa, ou não… Previsões são sempre arriscadas. Em 82 e 86 tínhamos a melhor equipe e dançamos. Em 98, graças a um episódio muito esquisito, também. Em 94 a seleção não era lá tudo isso, mas foi Tetra. Só em 2002 é que tudo correu dentro do previsto. Espero que isso também aconteça (ou já tenha acontecido) em 2006.


Comecei a entender o que era Copa do Mundo em 1970. Nessa época, eu tinha 10 anos. É, sem dúvida, a melhor fase da vida para despertar o interesse de um ser humano para qualquer coisa (a Xuxa só descobriu isso muitos anos depois e ficou milionária). É a melhor época para se aprender uma nova língua, a tocar um instrumento ou decidir, sexualmente, se vai jogar no ataque ou na zaga. Não importa, a partir de Pelé, Rivelino, Jairzinho e Tostão comecei a acreditar que o Brasil seria sempre campeão. Mas tive de esperar 24 anos para que isso acontecesse novamente. 


Em 1994, estava nos Estados Unidos e, mesmo assim, não tive a oportunidade de assistir nenhum jogo em estádios. E, apesar da vantagem de não ter de escutar as asneiras do Galvão Bueno, foi um sufoco encontrar uma emissora de TV que transmitisse todos os jogos. Os americanos não estavam nem aí para o maior espetáculo esportivo-cultural da humanidade. Por sorte, a hispânica Univision fazia parte do pacote de cabo do nosso hotel em Orlando. Era divertido ver a nossa seleção evoluindo ao som da narração e dos comentários de dois latino-americanos (um deles um argentino que adorava o Mauro Silva) e descobrir que “tiro de esquina” significava “escanteio” em espanhol.
Mas a emoção maior ficou para “a” final. A empresa de turismo, para quem eu e minha equipe prestávamos serviços de vídeo, conseguiu reunir algumas centenas de fanáticos brasileiros num enorme saguão de um dos luxuosos hotéis do complexo Disney.  A vibração era comparável a um estádio lotado. Quase tive um enfarte. Para quem se lembra, fomos para a prorrogação e, depois, para a disputa nos pênaltis.

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E não é que algum desavisado, no calor do jogo, esbarrou na tecla VCR/TV do videocassete, bem na hora do Baggio cobrar? Juro que é verdade! Tenho centenas de testemunhas para comprovar… É só entrar em alguma comunidade da Dimensão Turismo no Orkut e perguntar para quem esteve lá.  Parece inacreditável, mas, depois de restabelecida a “transmissão”, todo o time já comemorava o título.


Estou escrevendo esse texto na abertura da Copa de 2006. Precisei dar um tempo para enxugar as lágrimas que caíram sobre o teclado ao ver o Félix, numa cadeira de rodas, entrando no estádio de Munique. Ele que era o goleiro do time que me fez entender a importância de uma Copa do Mundo, numa época em que o país vivia no escuro e que a única luz vinha do túnel por onde passava a seleção brasileira na final contra a Itália, em Guadalajara. A mesma Itália que, 24 anos depois, nos entregaria a Copa no escuro (pelo menos para mim e algumas centenas de torcedores). Essa, nem o Zagallo, que testemunhou ambas as Copas, conseguiria engolir.


“Em 1994, estava nos Estados Unidos e assisti a final da Copa com algumas centenas de fanáticos brasileiros num enorme saguão de um dos luxuosos hotéis do complexo Disney. A vibração era comparável a um estádio lotado.”


Luiz Tadeu Correia é publicitário, professor, radialista e jornalista.


E-mail: [email protected]
Site: www.cebola.com.br

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