Credibilidade acima de tudo

Credibilidade acima de tudo
Janeiro 06 11:53 2009

Credibilidade acima de tudo
Há mais de 90 anos no mercado, a Casa Manon sustenta a confiança entre clientes e distribuidores

Quando pensaram, no ano de 1917, em fundar uma loja de instrumentos musicais, o flautista Henrique Facchini e o violinista Dante Zanni talvez não soubessem que sua ideia iria perdurar por quase um século. Hoje administrada por herdeiros, uma das poucas coisas que não mudaram durante todos esses anos foi a maneira de se trabalhar. Apostando sempre na credibilidade adquirida junto aos clientes e fornecedores, a Casa Manon (nome retirado da ópera de Jules Massenet) atravessou períodos de euforia econômica, de crises e tempos de “vacas magras”. Entretanto, manteve-se fiel aos princípios adotados pelos fundadores, conquistando cada vez mais a confiança do mercado e tornando-se referência em método de trabalho. Para isso, foi fundamental que estabelecessem determinadas regras de administração, como revela Alexandre Facchini, neto de Henrique Facchini, que, junto de seu irmão Ricardo, continuam o legado deixado por seu avô: “Mantemos uma política de atendimento especializado, preços justos e honestidade, sendo esses fatores responsáveis pela credibilidade da empresa nesses quase 92 anos”.

Mesmo com as inegáveis mudanças culturais em todos esses anos, o estabelecimento conseguiu manter seu carro-chefe na venda de um instrumento clássico: o piano. Um tanto quanto delegada no mercado atual, a Casa Manon tornou-se uma das principais lojas especializadas no instrumento, o que fez com que adquirisse clientes em todo o País. “Possuímos um departamento especializado no atendimento de clientes especiais, que, em alguns casos, necessitam de visita ao local para definição do instrumento a ser adquirido”, diz Facchini.
Confira em entrevista exclusiva à Música & Mercado com Alexandre Facchini um pouco mais sobre a história da loja, assim como os planos para o futuro.

Como se deu o ínicio da Casa Manon?
A loja foi fundada em 2 de abril de 1917 com o nome Facchini & Zanni por dois músicos e amigos, Henrique Facchini, meu avô, e Dante Zanni. Eles possuíam uma banda que se chamava Jazz Band Manon. Esta loja, que nasceu na Rua do Carmo, em São Paulo, mudou-se para a Rua Boa Vista e, em 1955, transferiu-se para a Rua 24 de Maio, permanecendo lá até o fim de 2000, quando fechamos em razão da deterioração do centro de São Paulo.

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Hoje são quantas lojas?
Possuímos um depósito fechado na Barra Funda e uma loja com prédio próprio, inaugurada em 1980 e que foi construída especialmente para ser nossa filial, com três pisos e estacionamento na porta. Está localizada na Avenida Ibirapuera. Fizemos essa transferência porque ficou inviável manter a loja no centro de São Paulo. Os roubos e a insegurança se tornaram tão grandes que muitos fornecedores se recusaram a entregar as mercadorias naquele endereço. Havia vezes em que uma perua era esvaziada em cerca de 30 segundos. Não havia mais condições de continuarmos lá. Mesmo os clientes não se sentiam mais seguros em frequentar o centro. Às vezes eram assaltados quando chegavam à esquina da loja. Não acontecia na frente, mas os ladrões já sabiam quem e onde iriam assaltar. Para se ter uma ideia, houve um caso de um cliente que preferiu comprar conosco na Avenida Ibirapuera mesmo trabalhando em um escritório em frente à nossa loja do centro. Disse que lá não iria nem na banca da esquina. A localização se tornou um problema irremediável.

Quais foram as dificuldades enfrentadas no começo?
No início, a maioria dos instrumentos musicais de qualidade era importada da Europa e dos EUA. Devido às dificuldades na importação, como burocracia, demora e custos elevados, entre outros, a disponibilidade era muito restrita.

Como conseguiram o capital inicial para a empreitada?
Foi proveniente de economias próprias e de algumas parcerias com fábricas no exterior, que muitas vezes mandavam as mercadorias para o Brasil e confiavam que seriam pagas por nós.

A Casa Manon está no mercado há muitos anos. Como lidam com a competição e quais são as estratégias para chamar atenção do cliente?
Estamos ativos há 91 anos — completaremos 92 anos em 2009 — e podemos dizer que já passamos por várias crises, como mudanças de moedas, desvalorizações cambiais violentas, crises mundiais e problemas internos com contrabando e concorrências desleais, como vendas sem nota fiscal, subfaturadas, entre outras.  Hoje existe um número enorme de lojas, porém, muitas abrem e fecham em um curto período de tempo. Isso mostra que apenas algumas estão realmente estruturadas e que essas lojas criam um ‘mercado’. Essa concorrência, quando é legal e honesta, é sadia e favorece o cliente. Procuramos manter nossa postura o mais correta possível e, com isso, cativamos a confiança tanto dos parceiros como dos clientes. As pessoas sabem que, ao comprar um piano conosco, por exemplo, elas podem ficar seguras de que estarão recebendo exatamente aquilo que compraram. Caso haja problemas, elas sabem que estaremos no mesmo lugar de sempre e que não serão lesadas. Hoje você pode comprar um instrumento por um valor muito aquém do mercado, sem nota fiscal, entretanto, se precisar trocar, nem vai achar mais a loja no mesmo lugar. É capaz até de achar outra loja já funcionando por lá. Nunca existiu uma união nesse sentido. Sempre há alguém querendo levar vantagem e pensando apenas em si próprio. Poderíamos ter um mercado muito mais forte.

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Como trabalham o marketing da loja?
Mantemos algumas parcerias com escolas de música, professores e profissionais da área, que ajudam na divulgação da marca Casa Manon.

Como é feita a administração da loja?
Hoje ela é administrada por mim e por Ricardo Facchini. Assumimos a administração em 1993, com a morte de meu pai, Walter Facchini, e a posterior saída do outro sócio, Millo Zanni, filho do também fundador Dante Zanni.

Qual é a especialidade da loja?
Somos especializados na venda de instrumentos, acessórios e partituras, sendo o comércio de pianos acústicos, de cauda ou verticais, o carro-chefe da empresa.

A loja está sentindo os reflexos da crise financeira mundial e a alta do dólar?
Sim, acabou nos afetando, coisa que já prevíamos. Você trabalha um piano com um valor de 20 mil reais e, de uma hora para outra, seu preço vai para 30 mil reais. São diferenças consideráveis, fruto dos valores de importação. Poderia ser o momento ideal para as marcas nacionais despontarem, mas hoje elas também acabam importando todo o material e praticamente não fabricam mais aqui. Para voltar a fazer isso, é necessário treinamento e mão-de-obra especializada, o que demanda tempo. Acaba acontecendo que as marcas nacionais estão com preço nivelado aos importados. Entretanto, essa não é a primeira crise que enfrentamos. Manteremos o mesmo padrão, mas precisaremos investir um pouco mais em marketing e na divulgação do nome da loja. Em casos como esse, é necessário manter o nome da empresa com a maior visibilidade possível. Promoções, sorteios e eventos não estão fora dos planos.

Como será a atuação da loja em 2009?
Mesmo com a crise e a insegurança, é necessário manter o mesmo padrão de trabalho e continuar oferecendo aos clientes as mesmas vantagens de antes. Para isso, será necessário trabalhar muito mais. É com esse pensamento que iremos começar o ano de 2009.

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