Consumo: Criança hoje, comprador amanhã

Consumo: Criança hoje, comprador amanhã
novembro 25 18:15 2009

Criança hoje, comprador amanhã

Investir em instrumentos musicais infantis garante o futuro de sua loja. Aproveite o Natal e a chegada da lei de música nas escolas e assegure a longevidade de seu negócio

Você achou este título um pouco perverso, capitalista demais? Realmente é, e o conceito que encerra é a mais pura verdade, o que posso afirmar é que você pode, e deve, ter a consicência limpa. Quanto mais vender instrumentos para o público infantil mais estará ajudando a construir uma geração segura, feliz, e inteligente!
Segundo psicólogos, o contato com instrumentos musicais desenvolvem habilidades intelectuais e sensorais que garantem sucesso na vida: concentração, sensibilidade, calma, aptidão motora, criatividade, sociabilidade e aprendizagem. “Como têm as funções cerebrais mais estimuladas, as crianças aumentam as possibilidades para adquirir conhecimento”, explicou a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), numa entrevista ao site da revista Crescer (http://tr.im/EmYh).

O nicho infantil vai explodir nos próximos anos, isso porque a obrigatoriedade da música nas escolas promete alavancar o setor. Tanto que o principal destaque da Expomusic 2009 foi a quantidade de empresas que lançaram produtos especialmente para as crianças, reservando grandes espaços para expô-los em seus estandes (veja matéria na pág. 114). Faz sentido, nos Estados Unidos onde o ensino de música nas escolas é obrigatório há mais de 70 anos, a venda de instrumentos infantis cresce, em média, 100 mil unidades por ano.

A musicalização nas escolas também prevê a alavancagem direta no ponto de venda, pois fica ao encargo dos lojistas suprimir a demanda das escolas, já que os fabricantes e distribuidores não trabalhar com venda direta. Além disso, estima-se um crescimento de 580% no número de estudantes de música em locais específicos!

Construir hoje o mercado de amanhã deveria ser algo bem claro na gerencia comercial de lojistas e fornecedores, afinal o futuro da empresa vai depender daquela criança que um dia se interessou por algum instrumento. Na prática, porém, poucos fornecedores trabalham exclusivamente, para esse público. Para realizar esta matéria, por exemplo, fomos em busca de possíveis entrevistados com esse perfil, sabe quantos encontramos? Nenhum…  Quem chegou mais perto foi a Casarotto, conhecida no setor por vender miniaturas de instrumentos musicais e que desde 2006 também produzem instrumentos infantis.

100 mil produtos para Unicef

 A tradicional marca de instrumentos de corda Giannini nunca desprezou esse mercado. Há mais de 60 anos fabrica uma linha especial de violões para crianças até 12 anos. “Sempre focalizamos na criança o consumidor de instrumentos mais sofisticados no futuro”, afirma Flávio Giannini, diretor da empresa.  Giannini aponta que o setor vem crescendo há algum tempo e ganhando mais força nos segmentos de violão e flauta, por conta da alteração da mudança de foco nos ensinos de música, que antes era mais específico para piano.

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Assim como a Giannini, a Quirino Instrumentos Musicais começou com instrumentos para adultos e logo diminuiu o tamanho dos produtos para também atender à demanda infantil Seus instrumentos compõem a “bandinha” completa para as crianças, equipamentos pvoltados mais para fanfarras e bandas escolares. Interessante notar que quando a empresa decidiu fabricar para esse público, há duas décadas, já não existia a obrigatoriedade de música nas escolas, abolida em 1979 (veja quadro na pág. XX). “Percebemos que, na ocasião, o mercado estava carente”, explica a consultora em vendas da fábrica, Célia Quirino de Oliveira. Foi uma boa estratégia. Em 1998 a empresa ganhou uma licitação e vendeu 100 mil produtos infantis para a Unicef. Analisou o mercado, viu uma oportunidade, apostou e ganhou. E, melhor, se antecipou e adquiriu experiência que será muito útil nos próximos anos.

Não há tanto tempo quanto à Quirino, mas também observando um nicho comercial pouco explorado, a distribuidora Izzo Musical importa instrumentos para crianças há mais de cinco anos. “Agora com a volta do ensino musical nas escolas iremos reforçar ainda mais nossa participação no segmento. Estamos nos preparando para ter a linha completa de instrumentos infantis, agregando diversos itens à nossa linha, para poder oferecer ao mercado o set completo de instrumentos e acessórios para desenvolvimento desse projeto tão importante”, afirma a gerente de marketing da em presa, Simone Storino.

Fazendo o bem

A fabricante mineira de instrumentos Michael já expôs na Expomusic deste ano uma série de novos produtos voltados para os pequeninos, eles começaram em 2008 com pianos  específicos e acabam de lançar as mini-baterias. “Foram quase 12 meses para concepção da nova linha; incluindo a criação do nome Michael Club, desenvolvimento da marca e dos personagens que figuram nos instrumentos e manuais, a criação das embalagens, testes e ajustes nas primeiras amostras, até a entrega dos produtos nas loja”, conta o reposável pelo marketing da empresa, Daniel Cardoso Soares.

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Para estimular o varejo do setor, a Michel realiza parcerias com lojistas, levando os personagens do Michael Club e criando um espaço lúdico dentro dos pontos de vendas e convoca: “Cabe aos lojistas também investirem na proposta, que é tão comum nos grandes magazines, mas ainda inédita no nosso segmento”.

Conhece aquela frase “a hora é agora”, é um chavão que se enquadra bem para este momento, o Natal está aí e é a melhor oportunidade para otimizar as vendas.  De a acordo com Simone Storino, da Musical Izzo, a data é melhor ainda do que o dia das crianças. “O Natal ainda se destaca pois é uma época onde há mais recursos nas mãos dos consumidores. Esperamos um crescimento na ordem de 20% em relação á 2008, pois ampliamos muito nossa linha infantil e assim podemos oferecer um leque de produtos bem interessante para as lojas”. A informação é corroborada pela Michael: “Em alguns meses no final de 2008, o volume das vendas de instrumentos musicais infantis chegou a dobrar”. E ainda pela Gianni, que ganha de 20% a 30% no aumento das vendas natalinas.
Diga-me, lojista, o que você está esperando? Faça um bem para sua empresa, para as crianças, para o futuro: invista em instrumentos musicais infantis!


O que a Ágatha quer?

Com 6 anos de vida, Ágatha Mendes é fã de instrumentos musicais. Seu pai prefere lhe dar um piano, mas o que ela deseja mesmo é uma bateria. “Já sei bater. Gosto mais do prato por que faz um barulho alto e diferente. E a bateria não é cara, é mais barata que o piano”, revela a pequenina que já tem até argumentos para convencer o pai…

Palavra de lojista

A Eletrônica Musical surgiu em 1987 e a venda de violões e baterias infantis já é conhecida na cidade de Fortaleza-CE. Com o crescente interesse das crianças, a escola Viva Música Viva, e hoje já tem em seu rol de produtos guitarras, percussões e pianos acústicos. A Música & Mercado conversou com o diretor comercial da Eletrônica Musical, João Carlos Mota de Souza, para ter uma opinião especializada sobre o varejo do setor.

O que o levou a Eletrônica Musical a vender para esse público, especificamente?
Como revendedores de instrumentos musicais, precisamos incentivar e despertar no público infantil o desejo de tocar um instrumento musical.

Qual o potencial que visualiza para venda de instrumentos voltados para crianças após a implantação da música nas escolas?
Acho que a nova lei vai trazer um aumento de demanda, pois tanto a atividade privada como a pública irão precisar de aparelhamentos tanto na estrutura física, corpo docente capacitado e material musical.

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Qual é o instrumento infantil mais procurado?
Os instrumentos musicais de cordas, principalmente o violão e a guitarra são os mais procurados, talvez pela relação em adquirir um instrumento com um preço acessível. Se a criança perder o interesse pelo instrumento, não foi gasto muito dinheiro.

Entre os outros segmentos com que trabalha, qual a participação total na produção de instrumentos musicais infantis?
Ainda muito pouco. Estamos na fase de  investimentos. Existe uma concorrência muito grande desses produtos infantis com brinquedos em geral, principalmente os eletrônicos.

Como vocês lidam com a concorrência dos instrumentos musicais de brinquedo e games?
Temos certeza que não só os games, mas tudo na área de entretenimento nos traz uma concorrência direta. Qualquer celular já traz atributos como tocador de mp3, radio am/fm, jogos, câmera, e muito mais. Esse segmento investe pesado em propaganda em todos os meios de comunicação e os preços baixam constantemente.

Em termos de vendas, qual é a melhor época, Dia das Crianças ou Natal?
Os motivos de datas específicas como Natal e Dia das Crianças são de fato interessantes para as vendas; mas no nosso segmento precisamos fazer com que todos os dias sejam especiais. Realizar workshops, demonstrações, promover shows, estar onde a música estiver. Despertar o interesse em tocar um instrumento musical, esse é nosso desafio.

Qual a importância cultual em estimular a música nas crianças?
Resgatar nossas raízes culturais. Preservar nossa memória musical. O Brasil é um país de dimensões continentais, nosso folclore é muito rico com muitas manifestações regionais e até locais. A Festa do Boi no Maranhão, o Maracatu do Ceará, o Vaneirão do Rio Grande do Sul, influencias italianas, alemãs, portuguesas… Isso tudo ferve em um grande caldeirão musical. Precisamos incentivar nossos filhos a se interessarem por toda essa enciclopédia musical. Estimular e despertar a música no público infantil traz com certeza a garantia te termos pessoas mais fortes para enfrentar as dificuldades que a vida oferece.

Anote aí
Matéria especial sobre a musicalização nas escolas na próxima edição da MM, prepare-se!

Para saber mais
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI66583-15153,00.html

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