Como montar seu home studio – Capítulo IV

Como montar seu home studio – Capítulo IV
junho 11 09:44 2018

Recapitulando: o seu home studio já tem microfones, monitores de áudio e interfaces. Próximo passo: os mixers.

O que falta agora, além do cérebro do seu setup, do qual falamos um pouco em todas as edições passadas, que é o programa de computador conhecido como DAW (Estação de Trabalho de Áudio Digital) ? Bom, se eu dissesse que mais nada, estaria mentindo até pra mim mesmo, pois todos os dias surge no mercado um outro item, que, no começo parece dispensável, com o tempo se torna necessário, e depois imprescindível…

Nas fotos de estúdios quase sempre o equipamento que mais se destaca é o item onde o operador passa a maior parte do tempo, conhecida como mesa de som, console, mixer e outros apelidos. Mesmo hoje sendo quase que totalmente substituídos pelos mixers virtuais das DAWs, continuam tendo sua utilidade, e muitos operadores não trocam o prazer de puxar um fader com o dedo, pelo seu equivalente virtual puxado pelo mouse.

Aí vem a pergunta do iniciante: Se eu já tenho um computador com um programa que tem uma mesa de som virtual, microfones, interfaces e monitores de áudio, para que eu precisaria de um mixer físico? A princípio pode parecer que não precisa, mas algumas situações vão surgir em que um pequeno, médio ou mesmo grande mixer será muito útil. E o que diferencia um mixer pequeno de um médio ou grande?

A princípios pelo tamanho, olhando mais atentamente pela quantidade de botões, faders e chaves, e entendendo melhor pela quantidade de entradas e saídas. Aqui é preciso esclarecer que quando um fabricante anuncia um mixer de 8 entradas, por exemplo, podem ser apenas 4: quatro entradas estéreo. Ou anuncia 12, mas são 8 entradas mono e 2 estéreo. É preciso ficar atento, primeiro, nas entradas mono e/ou estéreo.

Outro item controverso é a quantidade de pré-amplificadores. Um mixer de 12 canais pode ter prés-amplificadores somente nos 8 canais mono. Os prés – como são chamados abreviadamente – são úteis para melhorar o sinal de entrada quando vários instrumentos ou microfones são gravados ao mesmo tempo. Por isso um mixer com 2 ou mesmo apenas um pré, pode servir para gravar vários canais, um de cada vez.

Se você usa microfones condensadores, vai precisar – assim como na interface – do chamado Phanton Power, que é uma alimentação elétrica indispensável para o funcionamento deste tipo de microfone. Como já vimos, cada tipo de microfone, os dinâmicos, os condensadores e os de fita, tem uma aplicação específica, então o mixer deve servir aos tipos de microfones que você tem ou vai usar.

Outro diferencial entre os modelos de mixer é conhecido como FX, uma sigla usada em áudio para designar efeitos, como reverb, delay, etc.. Um mixer com FX tem efeitos para serem usados nos sinais de instrumento e microfone que entram, e sem FX não tem estes efeitos.  O preço de um mixer com FX obviamente é maior do que o de um que não tenha tais recursos.

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Um mixer pode ter amplificação própria, o que também vai encarecer seu custo, mas por outro lado, se você for usar monitores de áudio passivos – que não têm amplificação – eis um casamento feliz, pois o mixer vai poder mandar o seu sinal já amplificado para os monitores que não amplificam. Isso pode ser mais útil em sistemas de som para apresentações ao vivo, do que em estúdios.

Como vimos na edição em que tratei de interfaces, existem hoje equipamentos “dois e um” e até “três em um”. Há mixers pequenos, médios e grandes que já vêm com sua interface de boa qualidade embutidas. Mais um fator a ser pensado ao adquirir todos os equipamentos e suas interligações. Há mixers no mercado que além de mixar, trabalham como interfaces e também como controladores. Mas vamos por partes.

Trata-se de um equipamento que vai ser usado para controlar todo o seu setup, então, precisa ser adquirido de acordo com o sua utilização. Se você vai apenas sequenciar em MIDI, colocando de vez em quando sua voz e um violão, um mixer de 2 canais vai poder reunir estes dois áudios – voz e violão – e enviar através de sua saída como um canal apenas, já mixado, para uma interface modesta de apenas 2 canais, liberando um.

Da mesma forma, uma bateria microfonada por 5 ou mais microfones poderá ser mixada e através da saída do mixer enviada para apenas um canal da interface. Perceberam a utilidade do mixer? Por isso mesmo é tem este nome – mixer – pois nele poderemos fazer muitas misturas e enviá-la para a interface. Por isso é importante que o mixer tenha preferencialmente mais de uma saída.

Explico: Em um mixer de médio para grande, existe a saída principal, e saídas auxiliares, inclusive para os fones de ouvido. A saída principal geralmente é ligada no sistema de amplificação e/ou monitores de áudio. As saídas auxiliares podem ser usadas para direcionar o sinal para sua interface, e a saída dos fones para que você ouça tudo o que estará sendo mixado.

Outro recurso é a possibilidade de reunir um grupo de canais de entrada, e modificar o seu sinal grupalmente. Há mixers médios e grandes que têm este recurso, além de outras opções como ligar um aparelho de efeitos em um ou vários canais, e inseri-los separadamente em cada canal. Um mixer com FX tem o recurso de inseri-los internamente, da mesma forma.

Poderíamos ficar várias edições falando sobre os recursos dos mixers, analógicos e digitais, seus controles pelos faders ou pelo monitor do computador, por um tablet ou mesmo smartphones, ligações por cabos, multicabos ou via cabos de rede Ethernet, transmissão sem fio dos canais, e logicamente de seus preços entre centenas de reais ou centenas de milhares de dólares…

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Como sempre, reuni algumas sugestões com preços médios de pouco mais de R$ 1 mil até R$ 3,5 mil. O que quase sempre é a faixa de preços para se ter um mixer decente. Há opções no mercado com “muitos canais a mais”, e outros recursos que nem sempre vão ser úteis, destinados a som ao vivo ou aplicações que não sejam as de um home studio. Vamos a elas:

Yamaha AG
R$ 1.200 – Yamaha AG06 – Mixer e Interface de Áudio USB

6 canais, sendo 2 mono com pré-amplificadores, 2 entradas conjugadas/estéreo P-10 e 2 entradas conjugadas/estéreo P-2, 2 saídas estéreo P-10 e uma P-10 estéreo para fone de ouvido. Entrada e saída P-2 para headset. Phanton Power em 1 canal, Direct Box, conexão USB, compatível com iPad e com uma versão reduzida da DAW Cubase para PC e Mac. Uma boa escolha para começar no mundo dos mixers.

Yamaha MGXUR$ 1.300 – Yamaha MG10XU – Mixer & Interface de Áudio USB 

10 canais, sendo 4 monos com pré-amplificadores e 3 entradas estéreo em P-10, 2 saídas, uma principal balanceada (XLR) e outra auxiliar (P-10), compressor com potenciômetro de controle, 24 efeitos SPX, Phanton Power, chaves de atenuação nos 4 canais mono, compatível com iPad, 2 entradas e saída de áudio a 24bits/192 kHz, sem versão do Cubase.

AllenHeath ZED
R$ 1.500 – Allen&Heath ZED 10 –  Mixer

10 canais, sendo 4 monos com combo XLR, 2 estéreos P-10 e um estéreo P-2. Equalizadores de 3 bandas, 2 auxiliares, retornos estéreo e playback, interligação USB para entrada e saída via computador, saídas principal (XLR), para monitor (P-2) e para gravação (P-2). As entradas 3 e 4 são de alta impedância para guitarras com ganho de até 26dB. Uma opção para guitarras e violão de nylon. Acompanha o Cubase.

Mackie ProFX v

R$ 2.000 – Mackie ProFX 12v2 – Mixer & Interface de Áudio USB

12 canais, sendo 4 monos e 4 estéreos. 6 prés Mackie Vita, 16 efeitos ReadyFX, equalizador gráfico de 7 bandas na saída, e de 3 bandas em todas as entradas, interface USB embutida, saídas principal e de monitoração XLR, entradas e saídas RCA e de fones com controles de volume individuais, fonte de alimentação interna e a “legendária” construção reforçada dos mixers da marca.

Allen Heath ZED FXR$ 2.500 – Allen & Heath ZED 10FX – Mixer 

10 canais, sendo 4 monos com combo XLR, 2 estéreos P-10 e um estéreo P-2. Equalizadores de 3 bandas, 2 auxiliares, retornos estéreo e playback, interligação USB para entrada e saída via computador, saídas principal (XLR), para monitor (P-2) e para gravação (P-2). As mesma características da ZED 10, mas com 16 efeitos de time-delay ZED-FX, sends de FX e as entradas 3 e 4 com alta impedância. Acompanha o Cubase.

Mackie VLZR$ 2.500 – Mackie 1202 VLZ4 – Mixer

12 canais com headroom alto, sendo 4 monos e 4 estéreos, 4 prés “de boutique” Onyx com 60 dB de ganho, equalizadores de 3 bandas em todas as entradas, 2 sends e 2 returns, 4 inserts para efeitos externos, botões principais selados, Phanton Power, entradas e saídas RCA. Quase as mesmas características da ProFX 12v2, sem a interface de áudio e com a fonte externa.

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Yamaha MGP X R$ 3.000 – Yamaha MGP 12X – Mixer

12 canais, sendo 4 monos e 4 estéreos, 4 grupos e 2 sends e 2 FX. Phanton Power em 6 canais, entrada USB, controle via aplicativos DSP para edição de configurações em iPod e iPhone, 16 efeitos SPX e 8 REV-X, equalizadores X-pressive e compressor. Trata-se de uma mesa analógica com uso de tecnologia digital como o DSP Stereo Hybrid Channel, sem versão do Cubase.

Mackie ProFX vR$ 3.000 – Mackie ProFX 16v2 – Mixer & Interface de Áudio USB

16 canais, sendo 8 monos e 4 estéreos. 10 prés Mackie Vita, 4 grupos, 16 efeitos ReadyFX, equalizador gráfico de 7 bandas na saída, e de 3 bandas em todas as entradas, interface USB embutida, saídas principal e de monitoração XLR, entradas e saídas RCA e de fones com controles de volume individuais. Mesmas características da 12v2, com mais canais, controle de entrada e roteamento USB.

Zoom RR$ 3.000 – Zoom R16 – Mixer, Interface de Áudio USB e Controlador

16 canais, sendo que 8 podem ser gravados simultaneamente e 8 de playback, controlados pela DAW – Cubase (incluso), Logic, Live e Sonar – processador com 135 efeitos, afinador, modelagem de amplificadores, compressor, leitor de cartões SD e SDHC, Phanton Power, inversão de fase, tem microfone interno e pode operar com 6 pilhas AA. Opção para quem leva o equipo em viagens.

AllenHeath ZED
R$ 3.500 – Allen & Heath ZED Power 1000 – Mixer

12 canais, sendo 8 monos e 2 estéreos, equalizador gráfico de saída de 9 bandas, amplificador próprio classe D de 1 mil watts, fonte toroidal, podendo operar em saída L+R, mono LR + foldback ou mono LR + sub. 2 entradas funcionam sem DI com alta impedância para guitarras. Muito portátil, pesa 10 kg e é uma opção para viagens constantes, pela sua construção robusta.

 

Como se pode perceber, os mixers apresentam personalidades diferentes, sendo que as marcas costumam ter linhas com modelos desde 2 canais até, 16, 24 ou 32, com as mesmas características. No mercado nacional a maioria deles, até 16 canais, são encontrados com relativa facilidade, e os que tem maior quantidade de canais são mais difíceis de serem encontrados.

Nas descrições existem alguns termos – como sends, returns, etc. – que serão devidamente explicados nas nossas próximas seções, quando trataremos da linguagem usada pelos profissionais de áudio, termos e referências. É como você levar a caminhonete ao mecânico e, não conhecendo os termos técnicos, acabar confundindo a troca da lona do freio com troca da lona da carroçaria. Melhor aprender ou pode pagar preço errado…

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Saulo van der Ley
Saulo van der Ley

Começou construindo caixas acústicas, estudando violão erudito, que depois recebeu cordas de aço, captador e alavanca. Montou um grupo de rock, fez um show no colégio em BH e se mudou para São Paulo/SP, onde em 75 fez trilhas para teatro e dança, com prêmio APCA. Membro fundador do Núcleo Música Nova com o mestre Conrado Silva, cursou Composição na UNICAMP, V Prêmio Sérgio Motta de Arte & Tecnologia com o grupo oTaoDoMinf, membro da AES, Troféu Clave OMB-SP, ex-redator e editor de revistas de áudio, Apple Developer e a 27 anos dirigindo a Pauta Arte & Comunicação, mesclando ensino e jornalismo musical.

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