Como enfrentar a inflação?

Como enfrentar a inflação?
setembro 29 16:02 2008

A inflação deixou de fazer parte das reuniões de planejamento financeiro dos lojistas do segmento de instrumentos musicais há muitos anos. Um dos nossos principais anseios era poder viver sem ter o dragão da inflação nos rondando. Desde o início do Plano Real, estamos usufruindo uma economia estável. Mas agora o problema parece não ter origem na ausência de política econômica do nosso país — são os movimentos da economia global que nos impõem duras condições de mercado que colocam a inflação novamente na pauta dos empresários brasileiros.

A explosão das commodities e a pressão sobre os consumidores
Os preços do aço e dos cereais explodiram. Algumas commodities metálicas já acumulam um aumento de 54% de janeiro a agosto deste ano. O petróleo é vendido acima dos US$ 100 o barril. Tudo isso afeta fortemente a maioria das economias do planeta e o poder aquisitivo dos seus clientes. Essas altas sucessivas têm — em parte — origem na demanda crescente dos países emergentes, entre eles o Brasil. E como uma espécie de reverberação econômica, as pressões sobre os preços são sentidas especialmente nos países em desenvolvimento, onde as famílias destinam a maior parte de suas rendas para a aquisição de itens básicos. Isso é assaz preocupante, uma vez que, quando os consumidores perdem o poder de compra, ocorre um arrefecimento no consumo, que é uma força motriz para o crescimento. Em função desse cenário, precisamos analisar as implicações nas finanças e a necessidade de realizar ajustes no modelo de gestão dos lojistas.

Aumentos sucessivos e o desafio dos repasses de preços
Sempre que temos aumentos sucessivos no custo das mercadorias vendidas, entramos numa zona de risco. Nesse momento, muitos lojistas se decidem por absorver os aumentos, dada a dificuldade que encontram na hora de repassar os aumentos aos consumidores. Todavia, a política de absorção dos aumentos sem repasse correspondente poderá comprometer toda a saúde financeira da sua loja. Jamais se decida por essa estratégia. Tenha em mente que vendas sem margem — apenas pelo volume de faturamento — o levarão ao fracasso. Bem sabemos que muitos são os concorrentes que continuam praticando preços antigos, mesmo após renovarem seus estoques com preços reajustados. Alguns afirmam que isso é necessário para manter o faturamento dentro das metas estabelecidas. Praticar margens negativas é equivalente a descaracterizar o propósito de existência do seu negócio. Essa prática deixará um rastro de dívidas e problemas que lhe custará anos de trabalho árduo para apagar. Justamente por isso é que estamos antecipadamente abordando a perspectiva de uma inflação vir a se refletir no custo das mercadorias vendidas.

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A gestão financeira em cenários de inflação
Os principais elementos que devem ser observados num cenário de inflação iminente são: o orçamento empresarial — também chamado de budget —, o modelo de precificação e a cadeia de valor dos produtos comercializados. O orçamento empresarial é importante pelo fato de conter a capacidade financeira que será usada para suportar a estratégia comercial e financeira da loja. O lojista não pode se decidir por essa ou por aquela estratégia sem consultar quanto seu orçamento está comprometido. Não navegue sem essa bússola. O modelo de precificação deve ser verificado em função do resultado que se pretende alcançar. Uma correta precificação atende sempre a dois fatores importantes: coerência com o mercado e metas de rentabilidade. Quando se consegue incluir no modelo de precificação uma ótima combinação desses dois fatores, a inflação poderá ser um problema para os seus concorrentes, mas não para o seu negócio. Por fim, uma competente análise da cadeia de valor dos produtos comercializados em sua loja lhe permitirá antever gargalos de fornecimento, volatilidade no preço de alguns produtos e dificuldades em negociar com fornecedores de produtos compostos de matérias-primas cujo preço está inflacionado. Certamente, essa dimensão do orçamento, da precificação e da cadeia de valor está consignada aos modelos de gestão profissional, independente do tamanho da sua loja.

Como se preparar para o primeiro trimestre de 2009
Comprovadamente o primeiro trimestre de cada ano — independente de ter ou não inflação — requer austeridade nas finanças. Sendo assim, devemos utilizar o aumento das vendas do último trimestre de 2008 para preparar um caixa saudável para o primeiro trimestre de 2009. Isso implica manter os gastos fixos no menor patamar possível. Caso perceba que o volume de vendas está acima do previsto, seja ágil e reduza os investimentos em promoção — preserve as margens. Empenhe-se para encerrar o ano com a maior geração de caixa possível. Aqueles que iniciarem o ano com baixa dependência financeira de recursos de terceiros irão usufruir maior competitividade mercadológica.

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Os gestores do futuro possuem visão de longo prazo
Cada vez mais importante para os gestores é desenvolver visão de longo prazo. Como guia orientador para os lojistas que querem desenvolver a visão de longo prazo é necessário saber responder a questões como: 1. Quais são as forças motrizes no segmento de instrumentos musicais? 2. O que você acredita ser incerto nesse segmento? 3. O que é realmente inevitável que aconteça com o segmento? e 4. Quais são os cenários possíveis e como lidará com eles? Quando consideramos pelo menos três cenários principais e nos preparamos para eles, saímos de uma condição obscura em relação ao futuro para uma condição de visionários. Há dez anos os visionários eram chamados de loucos. Atualmente são queridos pelas empresas. Eles incluem no planejamento estratégico variáveis antes ignoradas. Buscar enxergar o futuro não deve ser um exercício de predição, mas um ensaio do futuro.

Por falar em futuro, podemos encerrar deixando uma recomendação adicional com relação ao valor do dinheiro no tempo. Os consumidores estão cada vez mais dependentes dos instrumentos de crédito para alimentar e ampliar a sua capacidade de consumo. Isso os tem levado a ter as finanças equilibradas numa tênue linha entre o desejo de consumo e a capacidade de pagamento. Esse desejo de consumo provoca uma inflação de demanda. Por outro lado, financiar essa concessão de crédito requer uma gestão do ciclo financeiro. Faça desse tema uma importante métrica de desempenho. Prepare-se para o futuro, pavimente o sucesso do seu negócio com práticas que possam imunizá-lo não apenas da inflação, mas principalmente da gestão com margens negativas.

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