Bom de preço

Bom de preço
dezembro 16 15:18 2008

Bom de preço
Com a concorrência em alta, a política por produtos de qualidade e formas de pagamento diferenciadas ajudam a garantir a compra do consumidor

Localizada em Cornélio Procópio, uma cidade com 47 mil habitantes no interior do Paraná, a Musitech tornou-se uma loja de referência no setor de instrumentos musicais e áudio profissional no município e cidades vizinhas. Em prédio novo desde 2000, as instalações são modernas e atrativas, igualando-se ao perfil de comércios da capital paulistana. O proprietário Azemiro Ricardo de Lima, que atua no setor há 20 anos, investe agora no nome da loja por meio de produtos de marca própria, como caixas, alças e correias. A expectativa é fixar a marca no mercado e ampliar as vendas pelo País por meio do e-commerce.
Apesar de estar no interior, Lima procura trazer o maior número possível de novidades para a loja, atendendo à demanda dos clientes. Uma das estratégias para segurar o comprador na região é oferecer boas opções de pagamentos, como até 12 vezes no cartão de crédito. “Eu banco a venda pensando no longo prazo”, revela.
Segundo o comerciante, a estratégia deu certo. Hoje o empresário sente que os consumidores não saem mais da cidade para comprar instrumentos musicais. O município fica a 60 quilômetros de Londrina. No entanto, um pedágio de R$ 10,50 que divide a ida e a volta entre ambas as localidades acaba por dificultar a vinda de clientes de fora. “Antes, muitos consumidores iam para Londrina. Hoje consigo atraí-los na minha região. Às vezes atendo clientes de Londrina”, comenta em entrevista à Música e Mercado.  

>> Qual é o diferencial de montar uma loja no interior?
É conhecer os clientes mais de perto. Como muitos amigos meus são músicos, tive a oportunidade de oferecer e buscar equipamentos e instrumentos desejados por eles. Com isso, consegui clientes na região.

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>> Há quantos anos existe a Musitech?
Compramos a loja em 1987 de um antigo dono que vendia roupas e CDs. O nome era Som Modas e a loja ficava em outro endereço. No primeiro ano incorporei ao mix instrumentos musicais, pois não gostava de vender roupas. Começamos a vender violões Tonante, pedais para guitarra Oliver e guitarras Dolphin. Meu pai é técnico afinador de piano, por isso meu interesse por música. Sempre tivemos instrumentos musicais em casa. Meu pai toca violão, acordeom e piano. Cresci cercado de músicos, sempre gostei de música. Hoje temos todos os instrumentos de que um músico necessita.

>> Por que vocês mudaram de endereço?
Porque a loja começou a crescer. Mudamos de ponto duas vezes até a localização atual. Na última vez, compramos um prédio no centro da cidade, o demolimos e construímos tudo de novo. Fizemos a loja embaixo, com 200 m2, duas salas para locação em cima e nossa casa fica no andar superior.

>> Como você conseguiu capital para a construção?
Juntamos uma parte e, para a outra, pegamos crédito no campo. A construção demorou três anos.

>> Por que a localização em Cornélio Procópio?
Nasci na cidade e sempre quis investir nela, onde tenho muitos amigos.

>> Quais foram as dificuldades no início?
Várias, desde ordem financeira à informação. Na época, não havia as facilidades de informação que há hoje. Isso além de abrir uma loja de instrumentos musicais numa cidade de interior, pouco acostumada com o tipo de varejo. A época era de inflação alta. Passamos também pelos vários planos econômicos de governos anteriores.

>> Qual é o perfil dos consumidores da loja?
Músicos e amantes da música, pois ainda trabalhamos com CDs e DVDs.

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>> Vocês sentem concorrência com lojas da Capital ou até mesmo de São Paulo?
Não. Oferecemos um atendimento diferenciado. Procuramos atender às necessidades dos clientes, buscando informá-los sobre equipamentos e instrumentos que satisfaçam suas expectativas, oferecendo um mix de produtos de qualidade.

>> Como está a concorrência na região? É possível praticar boas margens?
A concorrência é grande. Estamos próximos a vários centros com lojas de instrumentos musicais. No entanto, não nos preocupamos com isso. Trabalhamos com produtos de qualidade e marcas bem posicionadas no mercado. Oferecemos facilidades como pagamento parcelado e praticamos margens justas, o que coloca nossos preços num patamar bastante competitivo.

>> Como fidelizar o cliente e fazê-lo comprar na sua loja?
Por meio do atendimento, e sempre procurando corresponder às expectativas do cliente, oferecendo as informações necessárias para um melhor aproveitamento dos instrumentos ou equipamentos. Com a internet, tudo mudou. O consumidor já chega à loja com informações e o lojista precisa estar à frente. Não passa pela minha cabeça perder a venda para o concorrente. Tento fazer o melhor preço, banco a compra fazendo em dez vezes no cartão. Se for para o cliente comprar, que compre de mim.

>> Como você se mantém informado sobre novidades e lançamentos?
Por meio de pesquisa na internet e revistas especializadas.

>> Qual é a principal estratégia para o crescimento?
O atendimento personalizado. Cada cliente tem uma necessidade específica. Também dou muita importância à pós-venda. Sempre que possível, acompanho a montagem e instalação dos equipamentos, procurando orientar, pesquisar e atender às dúvidas. Efetuamos as instalações de maneira correta para o melhor aproveitamento dos equipamentos vendidos.

>> Quais são as perspectivas futuras?
Estamos consolidando nosso nome no mercado, por meio de vários produtos e serviços, como o lançamento de produtos com a marca Musitech. Fizemos parcerias com fabricantes nacionais de caixas, amplificadores, correias e cabos que colocam a nossa logomarca, e através de fabricação própria. Também pretendemos ampliar as vendas com e-commerce.

>> Vocês já fazem vendas virtuais?
Iniciamos as vendas. No entanto, tivemos problemas com vírus no site. Interrompemos por um período para aprimorar o veículo. Acreditamos que as vendas voltarão até o fim do ano.

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>> Há pretensão de expandir a venda desses produtos em outras lojas?
Sim. Já temos um representante no Paraná. Nossa expectativa é firmar a marca e expandir as vendas até atingir o mercado de São Paulo.

>> Você acredita que os lojistas podem ter receio de comprar da marca por ser nome de loja?
Na hora em que eles perceberem que o produto é de qualidade, acredito que isso não irá acontecer.

>> Você pensa em montar outra unidade da loja?
Sim, será uma segunda etapa de nossa estratégia de crescimento, após o lançamento de nossos produtos no mercado.

>> Você sente que hoje a loja atingiu um bom patamar?
Sim, mas esperamos mais, e estamos trabalhando para crescer sempre.

>> Qual é o produto que mais vende?
O violão elétrico com afinador incorporado superou todas as nossas expectativas nos últimos meses. O mercado precisava desse recurso incorporado ao violão, soubemos explorá-lo muito bem e quadruplicamos nossas vendas de violões.

>> Qual é a participação dos produtos importados no mix da loja? Qual é sua opinião sobre esse mercado?
É muito pequena, pois hoje temos ótimos produtos nacionais, e sempre procuramos priorizar a venda desses produtos.
Participação:
Áudio Pro 5%
Instrumentos de cordas 40%
Sopro 5%
Percussão 10%
Teclas 10%
Amplificadores
Efeitos 15%
Acessórios 15%

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