As igrejas fizeram a diferença

As igrejas fizeram a diferença
agosto 16 08:00 2005

Aumento da participação evangélica faz com que mercado de instrumentos musicais se mexa para atrair cada vez mais esse público


Lojista antenado estuda o mercado em que atua, se prepara da melhor maneira possível e atrai o cliente para dentro da sua loja. Como o cliente em potencial em questão é o consumidor evangélico, hoje em dia cerca de 33 milhões no país, nada melhor do que criar algo que atenda em cheio suas expectativas.


Certamente, o empresário que sabe definitivamente o que quer para si não pode deixar para segundo plano o segmento evangélico. Quem estudou e se preparou para atender adequadamente esse público ávido por produtos, dos mais diversos tipos, inclusive instrumentos musicais, colhe os frutos desse investimento.


Apenas a título de ilustração, as ofertas existentes ao público evangélico vão de cerveja sem álcool a cartões de crédito, passando por instrumentos musicais, livros e CDs de música gospel. O mercado de produtos para evangélicos circula em torno de 500 milhões de reais por ano, e são criados aproximadamente 1 milhão de empregos diretos e indiretos, segundo informações fornecidas pela EBF Eventos, que organiza feiras de negócios dirigidas para o segmento evangélico. Aliás, o mais recente deles, realizado em setembro de 2004, no Expo Center Norte, em São Paulo-SP, teve mais de 200 expositores e uma visitação superior a 60.000 pessoas.


Para o lojista que ainda não se preparou, felizmente há tempo. Que tal a partir de agora acompanhar mais de perto esse público? O que você acha de quem sabe assistir a um culto evangélico, caso ainda não tenha tido essa experiência, para conhecer as reais necessidades em instrumentos musicais desse grande filão?


Se você estiver realmente disposto a investir pesado nesse segmento, ao seu lado sempre estarão os números, já que o público evangélico deve ser metade da população brasileira em 20 anos, segundo projeções do Serviço de Evangelização para a América Latina (Sepal), organização evangélica que atua na área de pesquisas e mapeamento de igrejas.


Não há como negar que a entrada dos protestantes no mercado de consumo também tornou-se uma oportunidade para fabricantes de instrumentos musicais, editoras de livros e produtores musicais. Afinal, cada um dos 150.000 templos espalhados pelo Brasil, de mais de 100 denominações evangélicas, tem uma banda musical, ou, como os evangélicos preferem chamar, um grupo de louvor, como afirmou o superintende da Weril, Nelson Eduardo Visconti Weingrill, em entrevista à Revista Exame de fevereiro deste ano, onde disse também que metade de suas vendas para o mercado interno se destina a esse público. A Weril fabrica trombones, flautas, trompetes e outros instrumentos de sopro, e que inclusive, para atender os evangélicos, voltou a produzir um modelo de clarineta que havia sido retirado do mercado.


Dono do mercado
Qual o lojista de instrumentos musicais que não quer ter em sua loja um movimento constante, digno daqueles bota-foras que vez ou outra temos notícias nas diversas mídias? Empresário consciente sabe que está cada dia mais difícil vender e que, por isso, a busca por alternativas que lhe garantam um incremento ou até uma manutenção de seus resultados pode fazer a diferença.


Um lojista, em especial, conhece como poucos o mercado em que atua. Sabe que desperdiçar um cliente hoje, pode lhe custar caro amanhã. Alexandre Lima, pastor da igreja Vida e Louvor, do Morumbi, e empresário do ramo de instrumentos musicais, com quatro lojas na cidade de São, não está no setor há pouco tempo.


“As coisas na minha vida aconteceram naturalmente. Trabalhava com instrumentos musicais e já era evangélico. Acho que uma coisa ajudou a outra”, diz.


Oriundo de uma família não-evangélica, o pastor Alexandre precisa correr muito durante o dia para também cumprir seu papel junto à sua comunidade.


“Na verdade, é um pouco difícil conciliar as duas coisas, já que tenho quatro lojas, um estúdio musical e um oficina de consertos de instrumentos musicais”, enumera.

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Conhecedor das necessidades evangélicas, o empresário Alexandre presta em sua loja um atendimento diferenciado ao consumidor evangélico. Talvez seja por isso que sua clientela seja formada em sua maioria pelos evangélicos.


“A maioria dos nossos clientes é evangélica. Isso é fato. A gente tem alguns vendedores em nossas lojas devidamente treinados para atender esses consumidores, profissionais que como seus clientes também são evangélicos e que, portanto, sabem do que precisa ser feito para vender”, explica


Alexandre comemora o crescimento da participação evangélica em seus negócios. Segundo ele, a tendência é que mais denominações passem a fazer uso de instrumentos musicais em seus cultos, o que acabaria fomentado o mercado.


“Acredito que 80% das denominações evangélicas tenham louvor, fato bastante diferente de 15 anos atrás. Com o advento dos ministérios de louvor das igrejas, o mercado cresceu muito. E pode ser ainda melhor caso as igrejas mais conservadoras resolvam adotar o louvor em seus cultos”.


Compra consciente
A compra de instrumentos musicais na Comunidade da Graça, de Ermelino Matarazo, na capital paulista, acontece somente quando há realmente a necessidade de troca de um instrumento. Quem diz é o pastor Agnaldo Fernandez, Nadinho para a comunidade.


“A gente faz um levantamento das necessidades da banda. A compra ocorre de fato quando a gente percebe que um instrumento está desgastado. A partir daí, a gente começa a correr atrás de um novo instrumento para reposição”.


Evangélico já há muitos anos, pastor Nadinho sabe onde encontrar instrumentos musicais de qualidade e com bons preços. Toda vez que se faz necessária a compra de um novo instrumento, lá vai ele com alguns amigos em busca da melhor opção. E nessa hora ele não abre mão de comprar onde já está acostumado.


“Eu vou até a Teodoro Sampaio porque sou muito bem atendido nas lojas de lá. Posso eventualmente ir até a Santa Efigênia, mas prefiro a Teodoro. Encontro produtos de qualidade a preços bem convidativos. Em alguns casos, pago até mais do que se fosse comprar na Santa Efigênia, mas no final compensa”, explica.


A cotação de preço é outro expediente bastante utilizado pelo pastor Nadinho. Ajudado pelos irmãos da Comunidade da Graça, ele já sai para compra sabendo exatamente o que vai comprar e quanto vai gastar, o que acaba agilizando todo o processo.


“A gente faz cotação para saber o que exatamente a gente vai comprar. Em cima do que conseguimos apurar, vamos à compra de forma consciente”, diz.


Para não ser pego de surpresa no caso de eventual problema num instrumento, o pastor Nadinho sempre trabalha na sua Comunidade com uma pequena reserva de alguns instrumentos básicos da sua banda, casos de guitarras e violões. Sobre os instrumentos desgastados, ele prefere vender aos irmãos, claro que devidamente revisados, do que dar como parte de pagamento dos novos.


“As lojas depreciam demais o instrumento que a gente leva. O que a gente faz é vender o instrumento, que na maioria dos casos está em bom estado, por um preço menor para os irmãos da igreja”, conta.


Pastor Nadinho vê o aumento da participação evangélica no mercado de instrumentos musicais com bons olhos. Segundo ele, trata-se de um segmento que tem ainda muito a crescer, abrindo mais portas para o mercado em geral.


“Eu acho que a tendência é aumentar ainda mais. Um exemplo disso é você ver a Teodoro Sampaio e a Santa Efigênia, com uma grande concentração de lojas. Se tem todas aquelas lojas, é porque existe procura”, conclui.


Hábito diferente
Diferente do que acontece na Comunidade da Graça, na igreja Batista de Perdizes, na cidade de São Paulo, as compras de instrumentos musicais ocorrem individualmente, ou seja, cada membro da banda é dono do próprio instrumento.


“Com exceção da bateria, do órgão e dos pianos, todos os instrumentos são dos próprios músicos, por isso cada músico troca o seu de acordo com o seu gosto e desenvolvimento musical com o passar do tempo. Os instrumentos como pianos e órgãos raramente são trocados, não sei nem dizer o tempo. Neles, apenas é feita manutenção necessária como afinação, por exemplo. A bateria é trocada de acordo com o desgaste. Atualmente, estamos com uma bateria há nove anos e talvez só precise ser trocada agora”, conta Thomás Dias, membro do ministério de música da igreja.

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Os itens que são de propriedade da igreja, Thomas diz que os responsáveis pela troca são o Ministro de Adoração da comunidade juntamente com o pastor, mas sempre de acordo com as necessidades apresentadas pelos músicos.


Na Batista de Perdizes, a banda é formada por bateria, baixo, guitarra, violão, teclado, piano e órgão. Às vezes, flauta transversal e trompete. Dias afirma que, apesar de utilizar todos esses instrumentos, a sua igreja não mantém vínculo algum com loja de instrumentos musicais.


“Não temos parceria com nenhuma loja. Até porque, dependendo do preço, o nosso objetivo é de sempre fazer pagamento à vista. Se isso significar algum prejuízo para as finanças, então, parcela-se o mínimo possível”.


Ajuda divina
Na Universal do Reino de Deus, do também bairro paulistano de Azevedo Soares, a compra acontece quando há necessidade de troca. O pastor Wilson conta que, da mesma forma que na Comunidade da Graça, na sua igreja a compra de um novo instrumento musical é determinada apenas quando seu antecessor apresenta problemas.


“A gente avalia o que é preciso comprar, primeiro. Depois, a gente faz algumas cotações até chegar no melhor lugar”.


Segundo o pastor Wilson, todo esse processo justifica o investimento que os fiéis são desafiados a fazer.


“Quando é preciso trocar um instrumento, a gente pede ajuda para os irmãos da igreja. Por isso, que a gente pedi um desconto no pagamento à vista ou uma condição melhor num a prazo para o lojista. Isso a gente costuma fazer”, confidencia.


Pastor Wilson diz que é comum cada igreja fazer sua própria compra de instrumentos musicais, mesmo porque cada um sabe o que precisa.


“Cada igreja acaba fazendo a sua compra porque sabe bem o que precisa comprar. Tem pastor que utiliza o instrumento musical até o fim, nem que para isso perca qualidade”.


Ciranda evangélica
O mercado fonográfico é o grande beneficiado com o crescimento do consumo evangélico enquanto grupo. Para se ter uma idéia, existem hoje no país 120 gravadoras e distribuidoras de música gospel, que faturaram cerca de R$ 120 milhões em 2003. Os evangélicos contam ainda com 470 emissoras de rádio e várias TVS.


Segundo projeções de especialistas, o mercado gospel deve crescer ainda mais nos próximos anos com a abertura de novos pontos-de-venda. Hoje, os produtos estão nos principais hipermercados do Brasil e podem ser adquiridos via internet, além dos pontos-de-venda evangélicos tradicionais.


Com requintes de popstar, a música gospel é altamente vendável. As gravadoras no país também exportam os evangélicos brasileiros que vivem nos Estados Unidos e Europa para o mercado de evangélicos brasileiros que vivem no exterior.


Potencial evangélico
Alguns indicadores revelam o tamanho desse mercado no Brasil. Um segmento que tem ainda muito a se desenvolver


 · 500 milhões de reais é quanto movimentam, por ano, os produtos evangélicos no mercado nacional
 · 32 milhões de fiéis é o tamanho do rebanho protestante, o equivalente a 18% dos brasileiros
 · 1 milhão de empregos são gerados pelas empresas que vendem produtos destinados a evangélicos
 · 10 000 novos pontos de pregação são abertos a cada ano em várias regiões do país


População evangélica no estado de São Paulo
Veja a distribuição dos evangélicos pelo estado de São Paulo


 · 6 cidades têm mais de 30% da população evangélica
 · 95 têm entre 20% e 29,9%
 · 186 têm entre 15% e 19,9%
 · 251 têm entre 10% e 14,9%
 · 100 têm entre 5% e 9,9%
 · 7 cidades estão abaixo dos 5%

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As 10 mais cidades com maior percentual evangélico de São Paulo
 · Torre de Pedra – 37,22%
 · Jacupiranga – 36,14%
 · Cajati – 35,32
 · Nova Campina – 33,98
 · Juquiá – 32,75
 · Engenheiro Coelho – 32,20
 · Votorantim – 29,83
 · Micaratu – 28,52
 · Pariquera-Açu – 28,17
 · Avaí – 28,13


Mãos à obra
Qual o cliente que não gosta de ser paparicado, de ser bem atendido e de ainda, de quebra, levar um produto que não vai lhe dar dor de cabeça? Todo cliente gosta de ser chamado pelo nome, de receber um atendimento personalizado, de poder adquirir produtos de qualidade a bons preços.


Certamente, quando ele encontrar tudo isso reunido numa mesma loja de instrumentos musicais pode ter com clareza que ali ele achou um lugar que pode enfim confiar. Um lugar que não está disposto a empurrar-lhe o produto que estiver encalhado no momento, mas sim o que atenda às suas necessidades.


Parece simples, mas em pleno século XXI há muito lojista não dispensando a devida atenção que o cliente evangélico merece. O que vemos, infelizmente, são empresários que por algum preconceito não enxergam o aumento da participação evangélica com bons olhos. O que temos que dizer a essas pessoas? Nada, por enquanto. Apenas é perdida uma chance de ouro para quem sabe colocar um gás no seu negócio. Que tal pensar nisso que falamos há pouco e implantar efetivamente na sua loja.


Para facilitar o seu trabalho, listamos algumas dicas para você colocar a mão na massa.


1- Estude os hábitos de compra de seu cliente evangélico. Caso ainda não tenha um, vá atrás de dados que possam lhe direcionar suas estratégias.


2- Prepara a loja visualmente para receber o público evangélico.


3- Prepara a loja conceitualmente para atender o público evangélico. Evangélico gosta de ser atendido por quem conhece suas necessidades.


4- Procure oferecer o que ele mais procura.


5- Dê condições de pagamentos que facilitem a compra de não um como mais instrumentos musicais.


6- Faça com esse cliente um trabalho de pós-venda, mandando um profissional da sua loja verificar a performance do equipamento adquirido bem como sugerir possíveis mudanças (aquisição de novos instrumentos).


7- Mantenha seu cliente sempre por dentro das novidades da sua loja. Mande malas diretas, panfletos, etc. Estabeleça com ele um vínculo duradouro.


Frases
“Acredito que 80% das denominações evangélicas tenham louvor, fato bastante diferente de 15 anos atrás. Com o advento dos ministérios de louvor das igrejas, o mercado cresceu muito. E pode ser ainda melhor caso as igrejas mais conservadoras resolvam adotar o louvor em seus cultos”.


“As lojas depreciam demais o instrumento que a gente leva. O que a gente faz é vender o instrumento, que na maioria dos casos está em bom estado, por um preço menor para os irmãos da igreja”.


“Com exceção da bateria, do órgão e dos pianos, todos os instrumentos são dos próprios músicos, por isso cada músico troca o seu de acordo com o seu gosto e desenvolvimento musical com o passar do tempo. Os instrumentos como pianos e órgãos raramente são trocados, não sei nem dizer o tempo. Neles, apenas é feita manutenção necessária como afinação, por exemplo. A bateria é trocada de acordo com o desgaste. Atualmente, estamos com uma bateria há nove anos e talvez só precise ser trocada agora”.


“Quando é preciso trocar um instrumento, a gente pede ajuda para os irmãos da igreja. Por isso, que a gente pedi um desconto no pagamento à vista ou uma condição melhor num a prazo para o lojista. Isso a gente costuma fazer”.


Fontes: Sepal e EBF Eventos

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