APRENDA JÁ: Stakeholder: quem sou eu?

APRENDA JÁ: Stakeholder: quem sou eu?
novembro 13 13:49 2012

Você já deve ter ouvido o termo e está mais inserido nele do que imagina. Conheça o seu significado e entenda por que a sua empresa está rodeada de stakeholders e precisa tê-los em conta para se tornar uma companhia de verdadeiro sucesso

 

Na primeira semana de outubro de 2012 recebo um telefonema. Um cliente informa que não será possível realizarmos a reunião marcada, pois o seu sócio estaria ‘preso’ em outra reunião devido à ameaça de greve por seus funcionários. Situação delicada e muito comum em grandes empresas. Nosso setor não enfrenta muitas crises como a apresentada acima e, por essa razão, vou tentar ilustrar com uma cena fictícia para retratar o que usualmente acontece em negociações dessa natureza.

Imagine uma sala de uma grande companhia, onde estão reunidos os seus representantes (geralmente uma comissão presidida pelo pessoal do RH, acionistas, departamento jurídico etc.), líderes sindicais e alguns representantes dos empregados. Uma mesa retangular separa os grupos que estão devidamente paramentados com seus estereótipos: os engravatados são os empregadores, sempre com um discurso polido; os sindicalistas usam roupas casuais e um tom um pouco mais acalorado; e alguns empregados, vestindo uniformes do setor operacional, acompanham atentos a negociação e, vez ou outra, se pronunciam. A negociação segue como um ritual, em que todos parecem estar empenhados em manter suas posições, como peças no tabuleiro, ordenados e separados em lados opostos da mesa. Personagens distintos com um interesse em comum: a empresa, a marca, o projeto!

Quando falamos em stakeholder, tratamos de um grupo de pessoas que possui interesse pelas coisas da empresa, de determinada marca/produto e/ou projeto. Ele é formado pelos públicos internos e externos de determinada companhia. Esse interesse pode ser variado. No caso exemplificado, todos aqueles públicos envolvidos na negociação são stakeholders. Na tradução literal, o termo significa ‘parte interessada’, utilizado pela primeira vez pelo norte-americano Edward Freeman em seu livro Strategic management: A stakeholder approach (Gerenciamento estratégico: uma abordagem das partes interessadas, em tradução livre), onde o autor identifica os grupos que são as partes interessadas de uma empresa, descrevendo e recomendando métodos pelos quais a administração deve levar em conta esses grupos e seus interesses.

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Por que é importante?

O estudo desses grupos nos faz perceber que a empresa não está sozinha no mundo e precisa estar atenta para manter uma imagem positiva em seu convívio com todos eles. Além dos públicos internos, dos acionistas (stockholders ou shareholders), dos sindicalistas, dos concorrentes, dos fornecedores, ainda temos a comunidade em que a própria companhia está inserida. Nesse sentido, um dos grandes exemplos que temos está no Vale do Itajaí, na cidade de Blumenau, SC. A região é conhecida como o polo têxtil brasileiro e uma das empresas ali instaladas merece destaque: a Hering.

A empresa está presente no dia a dia do cidadão de Blumenau. Chamada de ‘a companhia’ por todos, é a referência principal da cidade e ocupa um espaço especial por inúmeros fatores: historicamente está ligada ao crescimento da região, sendo durante muitos anos a principal fonte de empregos, além de projetar a cidade para os quatro cantos do mundo (ao lado da Oktoberfest brasileira, segunda maior festa germânica do planeta).

De qualquer modo, a empresa não se descuida e mantém sua presença institucional ativa por meio de trabalhos destinados à comunidade, como o Museu Hering, o patrocínio ao time local (Metropolitano), entre outras ações que auxiliam a Hering a ter um papel fundamental na qualidade de vida das pessoas que, de certa forma, estão inseridas no cotidiano da empresa e, é claro, serão porta-vozes dos seus respectivos valores e difusores de seus produtos e serviços, sendo seus ‘primeiros consumidores’.

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Stockholder Ou shareholder, é como são chamados os acionistas das empresas. Eles são um grupo específico de stakeholders, pois possuem uma parcela de ativos de uma empresa e seu interesse é, em especial, financeiro. Evidentemente algumas empresas não possuem quadro de acionistas, mas todas elas possuem stakeholders. Uma faculdade pública, por exemplo, não possui um quadro de acionistas, mas conta com os seguintes grupos de interessados: estudantes, familiares dos estudantes, professores, administradores, empregados, contribuintes, a comunidade local, a sociedade em geral, curadores, fornecedores, entre outros.

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Podemos exemplificar com o interesse público por mudanças de políticas e novas propostas da reitoria da Universidade de São Paulo, USP. Muitos veículos de comunicação de nível nacional publicaram as polêmicas que geraram algumas decisões da reitoria da universidade em 2011, como aumentar o grau de dificuldade da Fuvest, a compra de imóveis em áreas nobres de São Paulo, a demissão de funcionários — culminando no fechamento do prédio da reitoria por grevistas.

Mesmo pessoas que jamais estiveram na USP acompanharam a situação, dividindo opiniões. Esse interesse de um grande número de pessoas e de diversos grupos distintos é capaz de ilustrar como uma instituição pode despertar interesse, mesmo em grupos que não estão diretamente ligados a ela.

 

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