A revolução da Liverpool

A revolução da Liverpool
novembro 23 10:57 2007

Quem não se comunica, se estrumbica. O popular ditado parece fazer cada vez mais sentido em um mundo globalizado, que exige uma comunicação eficiente e integrada, para os públicos externo — mercado e consumidor — e interno — os próprios funcionários. Trata-se de uma ferramenta estratégica indispensável para a empresa que busca um reconhecimento maior de sua marca. A Liverpool, fábrica de baquetas com sede na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, afinada com essa tendência, já está se mexendo.
Para tal, a empresa vem investindo em duas frentes: inaugurou, recentemente, seu novo prédio industrial, unificando todo o processo de produção, e contratou uma agência de publicidade, a Dubcom, para reposicionar a marca no mercado. “O intuito é promover o branding, que constitui todo o planejamento da marca, de postura, de design e de comunicação, com o propósito de solidificar marcão nome Liverpool no mercado”, explica o diretor-presidente da empresa, João Prim.

    Fundada em 1983 como um braço da Momfort, empresa de cabos de ferramentas manuais para a construção civil, como serrotes e martelos, a Liverpool se tornou uma marca com personalidade própria em 1994, inspirada na cidade homônima inglesa. Inclusive, até 1998, a produção funcionava junto da Momfort. O crescimento e a necessidade de ganhar competitividade fizeram com que a empresa fosse realocada, em abril deste ano, para um novo prédio industrial, permitindo a ampliação de sua capacidade mensal de produção para mais de 170 mil pares de baquetas. A Liverpool hoje conta com um portfólio de 210 modelos diferentes entre baquetas com ponta de náilon, de madeira pintada, envernizada, com grip, etc.

    Com 1.200 m2 e 86 profissionais envolvidos, a fábrica abriga todos os processos de produção de uma baqueta — desde a usinagem, passando pela estamparia, pintura e acabamento. Com isso, a empresa investe, primeiro, na imagem junto aos próprios funcionários. Com ampla experiência de mercado, João Prim é um empresário de visão, porque, ao investir no bem-estar dos funcionários, ele sabe que a produtividade tende a ser maior. “A Liverpool é uma empresa com gestão focada nas pessoas”, define. Esse foco é o que tem permitido à marca um crescimento médio anual de 23%, na opinião do diretor. Para 2008, estima-se uma evolução 28%. “Esse crescimento deve ocorrer com a marca mais forte aliada a ações de marketing nos pontos-de-venda”, explica.

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Reposicionamento da marca
Do outro lado, essa reestruturação vem associada ao processo de reposicionamento da marca, com a contratação da Dubcom, agência de comunicação de Florianópolis (SC), que tem como missão desde outubro entender e traduzir a cultura, objetivos e missão da Liverpool em uma comunicação eficiente com o mercado. “Por meio de um trabalho de dentro para fora, vamos englobar desde a postura dos nossos colaboradores, trajes internos, configuração da fábrica, e canalizar com ações de marketing para atingir os ícones dos bateristas brasileiros e estrangeiros.”

    Essa nova fase é reflexo da necessidade que o próprio diretor da empresa sentiu ao avaliar o mercado e as tendências de comunicação. Segundo ele próprio define, antes da chegada da Dubcom, a comunicação era até feita de forma técnica, mas com pouco planejamento. A partir de agora, a Liverpool investirá 5% de seu faturamento na viabilização dessa consultoria no planejamento de comunicação.
Boa parte dos especialistas em marketing aponta a comunicação integrada como um caminho de sucesso para uma gestão de marcas eficaz. “Uma comunicação eficiente com o mercado alia os atributos do produto às características e necessidades do público do segmento e traz resultados duradouros”, aponta o consultor Otávio Ribeiro, professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo.
Por outro lado, o professor da ESPM lembra que esse tipo de estratégia costuma trazer resultados mais a médio e longo prazos. “O pensamento mercadológico contemporâneo privilegia a construção de um patrimônio da marca e, naturalmente, demanda mais tempo”, avisa. Mas Prim sabe disso e confia no resultado. “Vamos consolidar a Liverpool como uma marca comparável às mais modernas do mundo. Isso nos identifica com o consumidor”, finaliza.

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A tríade da comunicação
Empresas que não se derem conta da importância da comunicação e de como ela vem mudando nos últimos anos podem perder mercado. Por isso, Música & Mercado pediu ao consultor Otávio Ribeiro, professor de marketing da ESPM, de São Paulo, que apontasse os três principais itens para uma empresa ser eficiente na comunicação com o mercado. Conheça-os:

A Internet veio para ficar
Por mais que se saiba disso, muitas companhias ainda não acordaram para o fato de que pelo menos 33 milhões de brasileiros utilizam a rede como ferramenta de trabalho ou consulta de produtos. “Ficar de fora desse canal é deixar de atingir um forte público”, diz Ribeiro.

Investir na comunicação dirigida
Não adianta querer falar com um milhão de pessoas se quem realmente vai consumir seu produto é um nicho bem mais segmentado. Ter foco é obter um resultado muito mais eficiente do que sair atirando para todos os lados.

A comunicação deve ser integrada
É preciso criar uma proposta única e coerente para vender a imagem da empresa e conquistar a credibilidade do mercado e, especialmente, do consumidor, que identificará a marca mais facilmente.

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