100 anos de música

100 anos de música
março 13 11:48 2009

100 anos de música
Após quatro gerações em família, a Weril resiste ao tempo e continua no mercado de sopro

Tudo começou em um estúdio artesanal no centro de São Paulo, especificamente na Rua Florêncio de Abreu, em 1909. A paixão do austríaco Pedro Weingrill por instrumentos de sopro transformou seu sonho em um negócio centenário.  Após quatro gerações, a família ainda administra a fábrica e dá vida ao mercado de sax e metais. Totalmente brasileira, a Weril acaba de completar 100 anos. Hoje, seus produtos são distribuídos em mais de 40 países, entre eles: EUA, México, Indonésia, França, Inglaterra, Grécia, Eslovênia, Irã, África do Sul, Espanha, Portugal, Alemanha e Áustria.

Após passar por vários endereços na capital paulista, a fábrica migrou para o município de Mairiporã (1964 a 1997) e, atualmente, funciona em Franco da Rocha. Com um empreendimento moderno — onde investiram mais de R$ 3 milhões em tecnologia nos últimos dois anos — e uma capacidade de produção para 80 mil instrumentos de sopro por ano, a empresa possui cerca de 300 funcionários.

Apesar de os carros-chefes serem os saxofones e os trompetes, o diretor Nelson Eduardo V. Weingrill comenta que outros instrumentos, como cornetas, flautas e trompas, também ganharam mercado nos últimos anos. Os acessórios e produtos de percussão que dão vida às bandas e fanfarras também têm espaço na indústria. Mas qual é o seu segredo, já que sobrevive no mercado há tantos anos? “Escutamos os músicos. Vemos o que eles querem e o que estão procurando nos segmentos em que tocam. Quem está no mercado sabe o que está acontecendo e temos de dançar conforme a música. Acho que tem lugar para todo mundo. É só trabalhar direito. Nossa opção é fabricar produtos de qualidade, com valor agregado e durabilidade”, relata o proprietário.

Divulgação e importações

Com o passar dos anos, a Weril reforça os aspectos que deram certo na empresa e descarta o que não deu resultado. Neste ano, continuarão com a mesma política de vendas de 2008. “Visitaremos bastante as lojas e o mercado, inclusive com as feiras e eventos. Estamos ligados nos revendedores. Queremos saber o que desejam e os respeitamos. Optamos por sempre ter uma relação próxima com o músico”, orienta Weingrill.

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Além dos itens exclusivamente brasileiros, a companhia importa alguns produtos, como é o caso das flautas Gemeihardt — uma boa oportunidade de negócios, pois o fabricante estrangeiro é também o distribuidor da Weril nos EUA. “É uma troca. Achamos que ela tem espaço no mercado nacional. É uma flauta de nome internacional, uma das mais vendidas lá. Pretendemos oferecer ao mercado coisas boas e duráveis, com faixas de preços diferentes”, completa o diretor.

Instrumentos de sopro

Segundo Weingrill, o segmento de instrumentos de sopro tende a crescer. Com a ajuda de ações sociais direcionadas para o ensino da música nas escolas, o mercado sairá ganhando e se fortalecerá. “O segmento não é maior porque as pessoas não sabem tocar. Não é como videogame, que as crianças aprendem sozinhas. Tem de ter professor e um estimulador”, orienta. E não há estímulo melhor para o músico do que tocar em conjunto.  Há alguns anos, a Weril investiu em uma edição para o ensino do método coletivo de bandas, difundido em todo o Brasil. “Isso é supertradicional em outros países, como Japão e EUA. Não podemos esquecer a importância do ensino da música nas escolas. O professor precisa também ter talento para não deixar as crianças desistirem de aprender. Não se compra um instrumento musical para deixá-lo no quarto e sim para usá-lo”, desabafa.

Para esquentar as vendas, a Weril prepara workshops — com endorsees — para apresentar seus produtos aos lojistas e consumidores. Além de movimentar o comércio, eles têm um fundo didático e social.
Já as tendências dos instrumentos de sopro são mais lentas. O que conta para o músico no momento de escolher um produto é o tipo de som e a funcionalidade do aparelho. “Com os avanços tecnológicos, eles são muito diferentes daqueles de 30 anos atrás. Mesmo assim, o excelente atestado de durabilidade desses produtos faz com que ainda existam instrumentos bem antigos em funcionamento, principalmente os saxofones”, diz o empresário.

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Atenção redobrada

Nos últimos tempos, o mercado está em estado de alerta. Desde a confirmação da crise financeira mundial, os empresários estão mais cautelosos, sobretudo quando o assunto é encher o estoque. Mas há quem diga que essa onda passará e tudo voltará ao normal. “Toda crise tem dois lados. Junto com ela ocorreu a valorização do dólar, tornando os produtos importados muito mais realistas do que anteriormente. Nossa condição de competitividade no mercado interno é maior e  no mercado externo é mais rentável.” Weingrill acha que essa cautela é natural. Só dessa maneira as pessoas saberão o que realmente irá ocorrer no mercado. “Acredito que 2009 será um bom ano. Não será um ano de redução, nem de diminuição da nossa atividade. Estamos, inclusive, pensando em aumentar nossa linha de produtos, trazendo mais importados”, finaliza.

Números da Weril

Ano de fundação: 1909
Número de funcionários: 300
Capacidade produtiva: 80 mil instrumentos de sopro por ano
Investimentos tecnológicos: cerca de R$ 3 milhões nos últimos dois anos
Distribuição: em mais de 40 países
Metragem: 9.600 m² de área construída.
Endereço: Rua Miguel Segundo Lerussi, 300 – Parque Industrial – Franco da Rocha/SP
Contato: (11) 4443-1300 ou www.weril.com.br

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